quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Arco

 



Me ponho como um arco, Senhor.

Usa-me ao ponto de envergar-me.

...e se eu quebrar em tuas mãos,

então estarei inteiro.


Jorgiano

Som

 



Senhor, a maior descoberta da minha vida é saber que pertenço a ti.

Não pertenço a mim mesmo.

Em mim, apenas moro...

Existo.

Há em mim uma voz que vez por outra afirma que eu sou eu, mas tenho lá as minhas dúvidas de quem eu seja.

Sei a quem pertenço e isso já me é suficiente. Quem sou vai se descobrindo e és tu que aos poucos vai me desnudando...

Me fazendo e me desfazendo.

Há uma construção diária em mim.

Pedaços que são meus ficam na estrada do passado – não há presente – no futuro, se houver, talvez eles se encontrarão com o novo que em mim a de existir.

Por enquanto, vou pertencendo a ti em conta gotas até que eu seja não seja mais dosado, mas derramado como um todo.

Hoje consegui falar. A tempos silencio...

Minha voz cansou.

Hoje consegui falar.

A minha voz está em cativeiro.

A minha voz cativa, cativa-me...

Minha oração virou um cântico instrumental.

Toque, som e tato.

A tempos não vejo o pôr do Sol, desde aquele dia em que Tu abriste uma janela na tempestade e se despediu de mim.

Vem me visitar, Senhor.

 

Jorgiano

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Sou voz por dentro.

 


A tempos me transformei em fala silenciosa.

Perdi o tempo da fala.

Sou voz pra dentro, Senhor.

...até que batas na porta e eu fale novamente, senhor.

Já bateu na porta?

Minha oração não encontra geografias...

Qualquer lugar (...) qualquer oração.

Não sei mais nem se faço orações.

...especificas orações.

Vivo existindo a cada passo.

Me confundo pois fui confundido.

Me confundi.

Há um tempo que eu queria que voltasse.

Tempos não voltam.

A vida passa, Senhor.

Passando eu, preciso que me passes...

Ainda estou aqui.

Da mesma forma.

Como antes...


Jorgiano, era assim que minha mãe me chamava.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Na Palavra ou no Olhar

 



Senhor,

Minha oração se transformou em um olhar penetrante, Apenas olho e imediatamente entendes o que digo. Minhas palavras se converteram em olhares... Olhares em todas as direções, em todos os lugares.

Quem sabe... talvez eu te encontre de repente? Não és óbvio. Apareces como uma surpresa.

Eu me calo. Não quero que as palavras desviem meu olhar. Silêncio. Tu me distrais e eu te perco.

Por isso, substituí minhas palavras pelo olhar.

Senhor... Peço-te perdão. Às vezes, sinto que nem mesmo sei mais olhar. Cura meus olhos. Ilumina meu olhar. Permite-me ver-Te.

Meus olhos vagam em busca da beleza. Onde estás? Encontra-me e permite-me encontrar-Te, Senhor.

Há um espelho invertido no Céu... Ele se esconde por trás do sol. ...e eu mergulho na escuridão pensando nele.


Jorgiano, minha mãe me chamava assim.

sábado, 31 de dezembro de 2022

Folhas Novas

 


Calei-me.

Tu sabes, Senhor.

Não permitirei nem um só momento que meus pensamentos se voltem contra ti.

Eu os torno a voltar-se contra mim.

A ti, a distância mais próxima...

...e o falar mais silencioso.

Vi tuas Asas e elas tinham duas cores.

Hoje vi teu rosto...

Olhos cor de mel não me permitiram o beneficio da dúvida.

Me cercas.

Fujo.

Me cercas.

A cima de mim, duas borboletas.

Ao meu redor, cinco borboletas.

No meu caminho, sete Borboletas.

...e o filhote de uma esperança fora de seu habitat natural.

As Folhas a minha frente se renovam...

Elas anunciam que tudo se fez novo.


Jorgiano.

Era assim que minha mãe me chamava.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Corar de Vergonha

 


Eu e muitos de nós, desta geração, fomos e ainda somos infiéis a ti, Senhor.

Nos calamos.

Uma geração toda te afronta e audaciosamente lhe coloca no banco dos réus como se o Senhor fosse um criminoso.

Pretensos teólogos tentar defender-te, eliminando completamente a tua Soberania e o teu Poder em conduzir a história (...) e assistimos a tudo calados.

Perdoa-nos, Senhor.

Perdoa-me.

Eu tantas vezes sujo.

Tantas vezes mudo.

Tantas vezes carrancudo.

Tantas vezes cego.

Tantas vezes rebelde.

Tantas vezes desobediente.

Tantas vezes dormente.

Desprezei a ti, Senhor.

E desprezando a ti, desprezei-me a mim, feito a tua imagem.

Quantas vezes tu quiseste me falar, mas eu tampei os ouvidos.

Quantas vezes quisestes me livrar e eu desci, com meus próprios pés, o abismo.

Desci ladeira abaixo.

Meus olhos fixos na tua Palavra, mas não percebia que era a mim que falavas.

Não consigo perdoar-me, Senhor (...)

Não consigo.

Fui privilegiado de ouvir tua voz tantas vezes e simplesmente fiz-me de tolo a não ouvi-la.

Traz-me de volta para ti, Senhor!

Resgata-me (...) peço-te.

Fui criado para ti.

Sem ti, Senhor não há razão de existir aqui.

Tua presença.

Tua presença, Senhor.

Tua presença.

Faz como antes.

...e eu dormia e contigo sonhava.

Revela-me, Senhor.

Visita-me e fica como antes.

Como antes, Senhor.

Como antes.



Jorgiano.

Era assim que minha mãe me chamava

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Oração solitária


 Eis - me aqui.

Conceda-me a graça da oração.

Que morra tudo em mim, mas tu, Senhor, não.

Alinha-me.

Tortas as minhas palavras não te encontram.

Firma meus pés.

Como antes, faz-me sonhar com tuas palavras.

...o caderno de anotações clamam.

Não me deixes, Senhor.

Quem sou eu sem ti?!

Há uma tempestade ao longe.

Tu és meu abrigo.

Meu sorriso só acontece no vento do teu Espírito.

As amarras da morte me cercam.

Que mundo é esse?

Estou longe de casa, Senhor.

Abrigo-me aqui para ser a tua voz...

Minha voz está rouca, Senhor.

Como cabe tua glória em vasos de dor?

Amor.

Só o teu amor.

...e quando a claridade dos meus olhos se apagar...

Haja Luz!



Jorgiano

Era assim que minha mãe me chamava