Há um fogo no centro daquela nuvem.
Ela não queima.
Minha vontade é de ir até lá e ser surpreendido por tua voz, como um dia teu servo foi, mas seria muita prepotência minha, Senhor.
Eu fico parado, olhando, orando - meus olhos espelham o fogo daquela nuvem.
Estás ali, Senhor?!
Estás aqui?!
Abristes novamente uma fresta no meio da nuvem, como abristes no centro daquela tempestade.
Ali, me presenteastes com o Sol entre duas grandes nuvens de chuva.
Aqui, me mostras uma nuvem em chamas.
És meu Deus de ontem.
És meu Deus de hoje.
Certamente serás meu Deus amanhã, mesmo se o amanhã não vier.
Meus olhos estão fixos na nuvem e no seu centro, um mover de fogo intenso.
Caminhas entre as nuvens...
Me ajudar a caminhar, Senhor?!
Moldas o instante.
Faz do Céu a tua estante de quadros desenhados por ti.
Me ensinas, Senhor e eu aprenderei...
Nunca esquecerei.
Jamais.
Quando permites que eu passe adiante e sofras, é ai, justamente ai onde percebo o quanto me amas.
Passei...
Sofri...
Sofro...
Me amas, Senhor.
Naquela nuvem havia um fogo.
O meu peito está em chamas.
Jorgiano.
Era assim que minha mãe me chamava.

