quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Som

 



Senhor, a maior descoberta da minha vida é saber que pertenço a ti.

Não pertenço a mim mesmo.

Em mim, apenas moro...

Existo.

Há em mim uma voz que vez por outra afirma que eu sou eu, mas tenho lá as minhas dúvidas de quem eu seja.

Sei a quem pertenço e isso já me é suficiente. Quem sou vai se descobrindo e és tu que aos poucos vai me desnudando...

Me fazendo e me desfazendo.

Há uma construção diária em mim.

Pedaços que são meus ficam na estrada do passado – não há presente – no futuro, se houver, talvez eles se encontrarão com o novo que em mim a de existir.

Por enquanto, vou pertencendo a ti em conta gotas até que eu seja não seja mais dosado, mas derramado como um todo.

Hoje consegui falar. A tempos silencio...

Minha voz cansou.

Hoje consegui falar.

A minha voz está em cativeiro.

A minha voz cativa, cativa-me...

Minha oração virou um cântico instrumental.

Toque, som e tato.

A tempos não vejo o pôr do Sol, desde aquele dia em que Tu abriste uma janela na tempestade e se despediu de mim.

Vem me visitar, Senhor.

 

Jorgiano

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